terça-feira, 25 de junho de 2013

O lenço Palestino - As antenas da Moda


Não há dúvida de que as manifestações que tomaram conta do Brasil a partir de 10 de junho se impõem como um fato de relevância na história do país. Algo que por sua grandeza e intensidade não só pede reflexão, mas aponta a clara necessidade de reformulação no encaminhamento político da organização social e da administração pública

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Também fiz a minha reflexão e ao apreciar as fotos lembrei do emblemático lenço palestino lançado por Nicolas Ghesquière em sua antológica Coleçao de Outono 2007, para Balenciaga. Parecia que os jovens estavam no mesmo clima da coleção.

Além do lenço usado como proteção, a sobreposição das roupas e as máscaras brancas, usadas pelos jovens em protesto, remetem àquela visual que até hoje influencia o cotidiano das pessoas -veja-se as bancas de camelôs em qualquer parte do mundo.
O blazer clássico usado de forma irreverente e em combinação inusitada de cores é também contestatório.

O uso do lenço palestino permaneceu e a cada ano surgem novidades com as estampas e cores da moda, mas a função continua a mesma. É um signo que abriga.
Quais seriam, agora os rumos que a Moda está indicando? Faço pesquisas, leio as revistas Vogue,analiso as matérias assinadas por Costanza Pascolato  e identifico duas expressões vigorosas :
O retorno triunfal do PUNK, confirmado na recente exposição do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art , em Nova Iorque, intitulada  Do Caos à Alta Costura;


" Nenhum outro movimento de subcultura teve maior ou mais duradoura influência no que vestimos hoje. Minha ideia foi apresentar o punk de maneira respeitosa, até mesmo reverencial — disse o inglês Andrew Bolton, curador da exposição, na pré-estreia. — O punk resiste porque reflete nosso anseio por um tempo em que originalidade e criatividade eram celebradas, em que a moda era provocadora e, sobretudo, defendia o indivíduo e a autoexpressão. 

Escapismo no clima de celebração do Grande Gatsby em versão contemporânea de Baz Luhrmann. Os vestidos de festa deslumbrantes materializam  a overdose de brilho e glamour que movimenta a indústria do luxo.Nas lojas femininas de todos os níveis há uma oferta surpreendente de vestidos brilhante, bordados , efuziantes, com seus improváveis sapatos.


Não nos iludamos, porém, pois o livro de Sott Fitzgerald, publicado em 1925, antes da grande depressão econômica de 1929 pode ser interpretado como um alerta ao materialismo exacerbado dos anos 20.Segundo o diretor do filme,as coisas que estamos assistindo como a elasticidade moral de Wall Street, estavam também acontecendo dos anos 20.
Há porém um agravante, a Daisy Buchanam ( Carey Mulligan) de agora é mais canalha que aquela protagonizada por Mia Farrow.


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5 comentários:

  1. Análise interessante e inteligente!
    obrigada!
    bjs
    c

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  2. Ola querida amiga,nada mais a dizer do que: Brilhante,Oportuna e Excelente postagem.Beijusss SU;

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  3. Como sempre uma análise lucida e visionária! Adoro conviver contigo.

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  4. Como sempre,dando show de competencia,inteligêcia e atual!!!!Parabéns,querida!!!!!bjssss Viriginia

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  5. Quitéria
    Adorei a ligação que estabeleceste entre a época dos anos 20 e a nossa. Há mesmo um clima um tanto “over” para o meu gosto, que, me parece, reflete o lado maníaco de uma sociedade bipolar. (Afinal, não vivemos uma época em que a depressão se infiltra em todas as camadas?) Só podemos ficar refletindo sobre o que nos espera num futuro próximo, caso essa analogia se repetir em todos os planos, não só na moda. Claro que a História não se repete de maneira idêntica, mas, assim como fazemos releituras em termos de moda, é bem possível que a gente venha a experimentar dificuldades semelhantes às de 1929. Baita “sacada” essa tua! Afinal, aquela lição, me parece, não foi aprendida ainda. E, quando uma lição se repete, costuma ser mais dura... Botemos nossa barbas de molho, portanto.
    Bj grande

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