terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fogueira do sec. 21

Porto Alegre, luxuosamente assistiu palestra de Tom Wolfe no Fronteiras do Pensamento. http://www.fronteirasdopensamento.com.br/

Adorei Tom Wolfe, reacionário, polêmico , muito simpático - até arriscou frases em português.
Impiedosamente, criticou os costumes , denunciando a morte dos valores morais e atribuindo à arte contemporãnea,um caráter de improviso para suprir a falta de talento. Assim para Tom Wolfe, Picasso partiu para o Cubismo por não saber desenhar.

A falta de habilidade mais a imaginação produz o que chamamos de arte contemporânea.

Criticou também a neurociência e a pesquisa genética.

Para êles, o ser humano deve ter o cérebro comandado por um software, não pode ter livre arbítrio.

Manteve o visual que o tornou famoso, terno branco e sapatos bicolores. Há nêle uma elegância de gestos, quando em pose. Mas,ao movimentar-se é limitado e rígido, como algumas de suas idéias - O corpo fala também ....E como!







Aqui, apoiado por Juremir Machado da Silva com seu look sartriano - lembram Jean Paul Sartre?







Tom Wolfe que me desculpe,mas seus óculos de grau brancos são pósmodernos , nem um pouco conservadores. Ponto a favor.


Seu figurino, que remete aos dândis do início do séc. 19 é caricato, mas lhe cai bem.
Faz um tipo !


Fantásticos as meias e os sapatos. O vintage torna-se vanguarda. Que confusão.






Na mesma data aparece Madonna, ao deixar o Brasil vestida de Tom Wolfe. Dá o que pensar e as leituras poderiam ser muitas ou simplesmente uma expressão do inconsciente coletivo, que assombra a Moda.


O visual antigo do Jornalista torna-se Fashion em Madonna. Qual seria a diferença? Estou pensando e aceito sugestões




Felizmente, ao final da palestra usa a moda para dar esperanças.
Lembra então que , na Inglaterra -no início do sec. 19-,as mulheres adotaram vestidos leves, transparentes, muito decotados ,desnudando os corpos. Nas festas cheirava-se óxido nitroso, para provocar risadas, refletindo a licenciosidade da época. Lembram o figurino da Imperatriz Josefina - aquela do Napoleão.
Como reação tal época foi sucedida pelo reinado Vitoriano - austero e puritano - no comportamento e no vestuário feminino.

As antenas da Moda já captaram há tempos o movimento de reação previsto por Tom Wolfe e o período vitoriano tem inspirado significativamente os criadores . Sinto muito , mas êle - o Tom - já está atrasado.
Assim figuras vampirescas, sugerem um glamour fatal nas imagens que antecipam o inverno 2010 na Europa.




Mas e sempre há um MAS, a tendência vitoriana é apenas uma das inspirações e se Tom Wolfe prestasse mais atenção na Madonna , veria que ela usa várias formas de expressão em seu figurino - casual, romântica,elegante, punk...

Fico feliz em pensar que a convivência de estilos e pensamentos seja a maior característica deste Século 21.

2 comentários:

  1. ruthscn@hotmail.com20 de novembro de 2009 14:42

    o tua maneira de enxergar e comentar ,faz a gente notar coisas que talves passem sem ser notadas. bjs
    pupuia

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  2. Muito legal o texto, Quitéria!!!adorei e aprendo sempre contigo!!!

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