sábado, 3 de outubro de 2009

A Moda Democratizada



O desfile das Lojas Renner, no Donna Fashion Iguatemí , em Porto Alegre, mostrou a democratização da Moda, num espetáculo de elegância e de estilo.

Lembro de Gilles Lipovetsky_ autor da bíblia O Império do Efêmero (1989)_ onde identifica o caráter libertário da moda e faz dela um signo das transformações que anunciaram o surgimento das sociedades democráticas.

O filósofo afirma também , que o particular processo de divulgação e reprodução da Moda, desenvolvido através das industrias de vestuário e acessórios, voltadas para grandes compradores, permitiu o estabelecimento de um sistema inteligente, baseado na efemeridade, diferenciação e sedução.
O sistema Moda é tão conveniente para a democratização do consumo, que atualmente domina a produção de todos os bens. Assim fala-se em moda de celular, automóvel, computador, alimentos _ a lista é enorme...

Nessa dinâmica, a participação dos grandes magazines é fundamental: realizam pesquisas de consumo e tendências, possuem equipes próprias de desenvolvimento de produtos , incentivam o surgimento de novas tecnologias, para obter moda de baixo custo, como foi mostrado nesse desfile da Renner, que inspirou minha reflexão.


SEDUÇÃO


DIFERENCIAÇÃO




EFEMERIDADE





A VISÃO DA MÍDIA

RENNER ACERTA

A Renner apresentou toda a diversidade da loja de departamentos sob um mesmo olhar: a elegância. Todas as apostas, inclusive as mais despojadas, tiveram um tom de glamour. Mérito do stylilng, que apresentou muito bem o recorrente náutico. A mistura de azul e vermelho esteve em variados tons, dando movimento às listras. O branco com dourado foi outra aposta certeira e as golas volumosas, nas batas e vestidos, dão estrutura para as peças que, em um primeiro olhar, seriam básicas demais. Zero Hora 02/10/O9


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Para encerrar a polêmica



A vereadora portoalegrense, Sofia Cavedon do PT, coloca uma gravata em sua colega Fernanda Melchionna do PSOL, em protesto bem humorado ao projeto de lei apresentado pelo vereador portoalegrense Nelcir Tessaro, postulando sobre o vestuário das colegas do sexo feminino.

O vereador se diz incomodado com o uso de jeans e camisetas – inclusive com manifestações políticas –, tênis e chinelos durante as sessões. Tessaro especifica no projeto quais roupas podem ser usadas em plenário: tailleur, terninho, vestidos clássicos mais longos e sapatos de salto médio ou alto. Para os homens, terno, gravata, camisa social e sapato clássico.(Zero Hora de 17 de setembro de 2009)

O Vereador não entende mesmo de Moda. Propor para jovens mulheres, conscientes de sua individualidade, donas de expressivas votações e soberanas em suas ações , um figurino tão conservador é completamente equivocado. Na realidade regras de bem vestir só para os CTGs e mesmo assim tem muita prenda usando xiripá.

Mais grave, porém é o machismo da proposta,que recebeu unânime moção de repúdio na 4ª Conferência Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres de Porto Alegre, realizada no final de semana passado.

É lamentável que nossa sociedade continue ainda tão machista...

O incômodo do Vereador, com a apresentação visual de suas colegas, deve ter razões mais profundas. Lembrei, porém de um livro que ganhei de uma querida amiga, Leonor Bastian, que explora os meandros psicológicos de nossa relações com as roupas e creiam-me: elas revelam e escondem memórias e intenções inconscientes.
O nome do livro é DISPA-ME - O que nossa roupa diz sobre nós.

Suas autoras são Catherine Joubert e Sarah Stern, psiquiatras e psicanalistas francesas.Para que vocês tenham uma idéia encontro este trecho na orelha do livvro _ êste é um livro sobre timidez, inveja, rivalidade, desejo, auto-afirmação, saudade, amor, sedução, pertencimento, feminilidade, traição, renascimento, compulsão, ousadia...Este é um livro sobre roupas.

Mas por outro lado, as vereadoras atingidas pela proposta- Fernanda Melchionna do PSOL e Sofia Cavedon do PT- reagiram com argumentos bastante discutíveis, relacionando um vestuário casual com proximidade às massas .
Em termos de marketing político, a realidade é outra. Personalidades políticas famosas se apropriam adequadamente de vestuários para ocasiões mais ou menos formais.

Querem ver?



Luciana Genro (PSOL), Maria do Rosário ( PT) e Manuela D´Avila (PC do B), em ocasião formal,usando roupas adequadas ao contexto de suas atuações como Deputadas Federais.
Paletós e vestidos estão perfeitos.



Luciana Genro e Heloísa Helena, em congresso partidário.É o momento da identificação pelo vestuário com a militância.

Aqui camisetas e jeans são ideais!

Na campanha para o Governo do Estado doRio Grande do Sul, Luciana Genro, bem assessorada, mudou seu visual, pois a agressividade de sua aparência não contemplava toda a sua potencialidade eleitoral.

Acreditamos sinceramente que seu pensamento político e liderança partidária não foram alterados pela bela aparência que adquiriu.




Portanto prezadas Vereadoras não tenham medo de um novo visual !


Sugestão para Sofia Cavedon - O Visual levemente Punk ficaria ótimo com seus cabelos louros e encaracolados. A camiseta e a calça confortável foram mantidos.



Que tal esta proposta para Fernanda Melchionna ? Tem jeans, camisa branca e blazer, todos básicos. Olhem só, o jeans tem até uns furos estratégicos. A moça da foto é parecida com a Fernanda - Bonitona !




E por fim, da última coleção de Ralph Lauren, uma proposta com overdose de jeans - elegantíssima e clássica. Portanto, Senhor Vereador evite novas gafes e esqueça seus conselhos de moda.



O título da matéria poderá parecer pretensioso, mas apenas pretendí colocar a discussão nas instãncias devidas, pelo profundo respeito que tenho pela Moda , como forma de expressão de todos nós.

terça-feira, 28 de julho de 2009

A bolsa de Dilma

Em 23 de julho, recebí várias mensagens criticando a bolsa Kelly, da marca Hermès, usada pela ministra Dilma.

Para quem não sabe , o nome vem da Princesa Grace Kelly, que elegeu o modelo como um de seus preferidos. Originalmente, era apenas uma bolsa muito bemfeita e discreta, de acordo com a elegância genuína de Grace.

Nos dias de hoje, o marketing de luxo a elevou à categoria de objeto de desejo e símbolo de status- custa em torno de 4700 euros - coisa de 14000 reais.

Ao ver a foto e ler a notícia minha primeira reação foi negativa e concordei com a colunista Anna Ramalho do Jornal do Brasil - quem ainda teme a revolucionária dos anos 70 pode ficar tranquilo. Não se usa uma Kelly impunemente.

Porém, em seguida olhei com atenção a face da Ministra, abatida pelos tratamentos a que tem se submetido, usando peruca, sem cabelos portanto, e me dei conta de que, se eu estivesse no seu lugar, talvez não resistisse à promessa de glamour, embutida na tal bolsa. Em situações de baixa auto estima o ser humano se desconhece.

Já acompanhei minha irmã em situação semelhante, e lembro do dia em que ela resolveu comprar a televisão mais moderna disponível no mercado. Apesar da pouca resistência física, mostrou uma energia extraordinária até encontrarmos o modelo idealizado. Em homenagem à ela, Maria Clara de Almeida é que me pronuncio.

A rigor, não nos compete opinar sobre escolhas tão pessoais .

Em seu editorial de 31 de julho, Glória Kalil comenta a gravidez de Gisele Bündchen e com sua habitual elegância declara -Pessoas famosas devem ter direito à privacidade também. Elas não têm que ser atacadas e agarradas porque uns e outros acham que ela tem que pagar pela notoriedade. Como eu disse no livro “elas não têm que pagar nada. Já pagam com seu trabalho, sua beleza, seu talento, seus ensaios.

http://chic.ig.com.br/materias/514001-514500/514235/514235_1.html

Desculpem-me as queridas amigas que mandaram mensagens sobre a tema , mas me sentiria leviana se concordasse com o ponto de vista da jornalista Anna Ramalho.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Desejo Recorrente

Na recente visita à Itália, no dia da visita ao Papa, não escapou o gesto de carinhosa intimidade do Presidente americano com sua esposa. Se não fosse êle o marido , seria mão boba, como se diz por aqui.


Na sequência de fatos, Barack Obama e Nicolas Sarkosy, protagonizam um episódio que deu o que falar, agora envolvendo o bumbum de uma jovem brasileira, Mayara Tavares. Ela fazia parte de um grupo de Jovens J-8, que acompanhava o encontro do G-8, em Aquila na Itália e além de haver dialogado com os presidentes Lula e Obama teve sua imagem divulgada em manchetes por todo o mundo.

Por sinal uma bela imagem: figurino e silhueta impecáveis.

O que parece um olhar malicioso de Obama e Sarkosy torna-se mais inocente ao assistir o vídeo. Pode-se notar que Obama poderia estar apenas se voltando para auxiliar a descida, no degrau, da jovem de saia estampada que aparece ao fundo. Enfim não fica bem claro, porisso cada um pode desevolver suas conclusões.

http://br.video.yahoo.com/watch/5487552?fr=yvmtf



terça-feira, 14 de julho de 2009

Ícones da Moda

Num mesmo dia, 25 de junho de 2009, desaparecem as figuras de Michael Jackson e Farah Fawcett e , como não podia deixar de ser, suas imagens transbordam em todos os noticiários e começo a lembrar suas contribuições para a Moda.

O seriado televisivo "As Panteras " iniciado em 1976, foi o ponto de partida para Farah tornar-se um simbolo sexual dos e ícone de moda dos anos 70 e 80. O poster abaixo, correu mundo - mais de 8 milhões de cópias vendidas nos primeiros meses.




Qual muher não quis copiar o penteado imortalizado com o nome de Panteras?

Tarefa às vezes difícil - poucas mulheres são geneticamente beneficiadas pela esplêndida cabeleira de Farah - e os cabeleireiros lançaram mão de todas as técnicas possíveis. Permanentes, fixadores, apliques e o corte em camadas, desenvolvido por aqui era incrível . Juntava-se todo o cabelo num rabo de cavalo,no topo da cabeça, que era cortado todo numa altura de 10 a 15 cm do ponto de união. Ao solta-l0o cabelo, surgia uma cascata volumosa que era então desfiada e retocada. Um luxo!

O estilo evoluiu ao longo dos anos e ressurge triunfante na bela cabeça de Gisele Bündchen .

Aproveitei as facilidades do site bymk para homenagear Farah - tão corajosa em seu adeus - quando precisou sacrificar seus lindos cabelos para tratamento do câncer.
byMK-Comunidade de Moda: Tributo  Farah Fawcett

Da mesma forma que Farah, Michael Jackson - sem estar diretamente ligado à Moda - contribuiu de forma muito democrática para lançar modismos fácilmente copiáveis: qual jovem não poderia garimpar uma luva branca, um soquete branco e arriscar os desafiantes passos do "moonwalk"?

O ícone POP estabeleceu definitivamente uma relação entre moda e música, nunca descuidando da imagem e adotando outras peças que se tornaram manias - o chapéu de feltro preto sobre os cabelos compridos, os óculos de aviador...

Sua privilegiada linguagem corporal hipnotizava multidões, seus passos de street dance levavam para celebrados palcos internacional a dança, originária nas ruas de bairros negros. Penso que Michael contribuiu muito para celebrar a cultura negra e, apesar da esquisita brancura da sua pele , manteve o magnífico gestual negro e a predileção por figurinos coloridos e ostensivos, caracteríticos dos povos africanos.


Suas jaquetas se tornaram mania - a do clipe Thriller, vermelha e preta, com volumes dos anos 80 foi a primeira a chamar atenção. Na sequência, vieram as adornadas por alamares, que fazem referência aos uniformes militares antigos. Nos últimos tempos, adotou os paletós - e não eram de marcas quaisquer: ele buscava excelências de estilo em Balmain e Givenchy.



Novamente utilizo Looks do by MK para ilustrar a influência de M. Jackson na moda e na música.

byMK-Comunidade de Moda: Beat it - look 15


Olha os anos 80 novamente, em versão jeans.Produzido por Ana Look.

Êste look, produzido pela amiga Marcia Messa , fala tudo sobre jaquetas e alamares.<
byMK-Comunidade de Moda: MJ

sábado, 6 de junho de 2009

Mulheres na Política

Terninho e Costumes



Nesta esplêndida paisagem, Michelle Obama recebe mulheres atuantes na cena política e chama minha atenção o retorno aos clássicos conjuntos de casaco com saia ou calça: Michelle e Rosalyn Carter usam calças e Jil Biden com sua assessora complementam seus casacos com elegantes saias lápis.

Rosalyn é a esposa do ex-presidente Carter e Jill é a esposa do atual vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.


Eis Jill Biden, tambem ícone de estilo, ilustrando matéria sobre o uso de lenços e echarpes, tão ao gosto das brasileiras tambèm

Gauchas nem se fala: já nascem com um lenço no pescoço!

Por falar em gaúchas: numa estada em Nova Iorque, num início de Novembro. apinhada de brasileiras, eu fazia um jogo secreto de identificar as gaúchas e nâo gaúchas pela desenvoltura e elegância no usos de roupas pesadas.

Mas voltando aos terninhos, ao realizar um trabalho de consultoria de moda, encontro na vitrine de um cliente, tres lindas sugestões,perfeitas para mulheres de vida política.
Analisando da esquerda para a direita vemos tendências de moda variadas: estilo sexy, estilo dandi e folk- romântico, determinados pelas blusas e acessórios.



E que tal usar estas jóias de Valéria Sá, com a composição central da foto acima?










Pode-se usar este anel abusado sob a forma de uma grande camélia em prata, banhada a ouro, ou o lindo broche , mais comportado para fugir da mesmice do colar de pérolas.



















Os terninhos, os costumes, a camélia como acessório, e as muitas pérolas não existiriam sem ela - Mademoiselle Chanel - para quem rendemos homenagens.



E ainda, lembrando Chanel, que tal êste Look do blog by MK, criado pela excelente Cris Borrego, para fazer a glória de qualquer candidata. Não deixem de acessá-lo!

http://www.bymk.com.br/OpenPages/Features/ShowLook.aspx?theSetID=22345">< id="byMKLook22345119" style="width:400px; height: 400px; position:relative;">byMK-Comunidade de Moda: Mrs. O


quinta-feira, 4 de junho de 2009

O desastre de Jânio Quadros


A vassoura como símbolo de campanha - Para varrer a corrupção no Brasil!


O visual em desequilíbrio


Política e Moda fizeram parte da minha infância e, ao longo da vida, construí nesses campos um imaginário, fruto da observação e reflexão, paralelo à educação formal. Por isso, após a aposentadoria como professora de Química, pude voltar-me, com mais atenção, a esses interesses - hobbies - na verdade, e comecei a ver que aquela diversidade, aparentemente desconectada profissionalmente, havia me proporcionado uma visão privilegiada para a análise da apresentação de personagens da Política. Assim fui percebendo a relação com o sistema Moda. Quem sabe não surgiriam informações importantes para aqueles que pretendem ou já fazem política nessa época da imagem em que vivemos?
Minha infância coincidiu com a efervescência da política brasileira, após a ditadura Vargas, quando as idéias eram mais importantes que as pessoas e os Partidos se desenvolviam a partir de ideologias. Falava-se em trabalhismo, comunismo, integralismo, parlamentarismo, socialismo e os políticos se destacavam em comícios através de seus dotes de oratória. Considerando os meios de comunicação da década de 50, a imprensa falada e escrita só poderiam se reportar ao debate das idéias apresentadas, já que as fotografias ilustravam as notícias e a aparência de um candidato tinha pouca importância. Tanto é verdade que, acompanhando meu pai e minha mãe ao aeroporto de Caxias do Sul, para receber o então candidato à Presidência da República, Jânio Quadros, espantei-me com sua má aparência - sim, eu vi seus ombros polvilhados de caspas - apresentada como mera excentricidade. Isto não o impediu, no entanto, de suceder à figura carismática e elegante de Juscelino Kubistchek (Presidente de 1956 a 1961).



O jornalista Augusto Nunes, relata tambem com espanto, a visita de Jânio Quadros, à sua casa durante a campanha eleitoral de 1961 e vale a pena acompanhá-la:

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/bau-de-presidentes/janio-quadros-um-sanduiche-depois-da-sobremesa/

Difícil acreditar que tal fato se repetisse, nos dias de hoje e, graças à minha sensibilidade estética, tive a audácia de anunciar, em casa, que Jânio Quadros, candidato da família, não receberia o meu voto. Seu visual não inspirava confiança e,infelizmente, o tempo me deu razão: seu desrespeito aos códigos estéticos, mas principalmente políticos e sociais foram desastrosos para o País, a tal ponto que ele renunciou, antes de completar sete meses de governo (31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961).