terça-feira, 14 de abril de 2009

O Novo Simbólico de Michelle Obama


Ao ler esta matéria sobre Michelle Obama, no site de moda RG Vogue, acende uma luzinha em minha cabeça: Opa, ela já "faz a cabeça" das pessoas, modo popular de dizer que o dress code da moda está num processo de mudança.

É claro,a moda possui uma capacidade incrível de apagar o valor simbólico de tudo que incorpora, está na sua essência. O que é feio se torna bonito e o que é bonito se torna feio. Querem um exemplo?

No site http://www.chic.com.br/, encontramos matéria que comenta: Quantas vezes você praguejou contra as odiosas ombreiras dos anos 1980? Pois pode tratar de reconstruir seu repertório estético, porque elas voltaram à baila.





Reconstruir o repertório, no caso, significa que o grupo dos formadores de opinião está aderindo aos ombros estruturados, porque suas referências estão alteradas - o Simbólico da moda está modificado para as próximas estações. Neste caso, a origem da novidade está na releitura das tendências dos anos 40 e 80 - que não por acaso são anos de crises mundiais, 2ª Guerra Mundial e a Recessão Econômica , que marcou os anos 80.






Mas, às vezes, as mudanças na moda são provocadas por pessoas como Coco Chanel, Madonna e agora Michelle Obama que tem carisma para mudar regras e renovar comportamentos.
Desde a campanha eleitoral, Mrs. O mostrou que tinha um estilo , contemporâneo e colorido, atraindo a mídia e tornando suas roupas, penteados e maquiagem pontos de atração nunca vistos. Torna-se moda uma estética, copiada por todas, característica das belas e tratadas mulheres negras americanas.

Em pleno inverno , no dia da posse presidencial, usou um inesperado conjunto amarelo, com pontos de brilho, - ver foto de abertura desta matéria - absolutamente distante do figurino tradicional das 1ª damas americanas.

Penso que nesta ocasião fica definido o seu estilo: chique, de bom gosto, confortável e feliz, pouco preso à convenções.








Minha certeza fica maior, quando Oscar de la Renta, famoso estilista norte americano, surge na imprensa, criticando o fatode Michelle Obama visitar a Rainha Elizabeth, usando um cardigã de tricô sobre um vestido preto e branco.

Não esquecendo que Oscar de la Renta sempre vestiu as primeiras-damas como Hilary Clinton e Barbara Bush, que adoravam as suas criações, pode-se imaginar uma certa dor de cotovelo. Compreensível até!

Michelle, ao contrário de suas antecessoras, preferiu novas revelações. Escolheu com facilidade um Thakoon ou Jason Wu ao invés de estilistas renomados.Além do que, durante a campanha eleitoral , a mídia alardeou o gosto de Michelle pelo pret-à-porter de lojas de departamento americanas.

A indignação de Oscar de la Renta valida as novas regras de Michelle , que em termos de imagem é uma PROFISSIONAL. Senão vejamos:

Há um site , com características oficiais http://www.mrs-o.org/ que se define como seguidor da moda de Mrs. O - Quem e o que ela está vestindo. O site faz o detalhamento completo das atividades de Michelle, como se fosse um paparazzi oficial.fi


iO seu cabeleireiro de longa data, Michael Rahni Flowers, foi requisitado para treinar os profissionais responsáveis pelos cabelos presidenciais em Washington (hoje sob o comando de Johnny Wright, da top equipe da Fekkai).

Mrs. Obama contratou a maquiadora Ingrid Grimes-Miles para acompanhá-la. É ela quem faz os makes de Michelle há seis anos - é também conhecida em Chicago por embelezar as apresentadoras de telejornais das emissoras locais - e acompanhou a comitiva presidencial, na recente visita de seis dias feita à Europa.

Atenção marqueteiros políticos, tanto Michelle Obama como Carla Bruni, que já é outra história, estão capitalizando a atenção que o mundo dedica aos seus visuais , aumentando a popularidade de seus maridos. Ao mesmo tempo,como fornecem a informação abundante sobre seu cotidiano fashion, controlam sua privacidade . Inteligente,não ?
É claro, esta é apenas uma interpretação e certamente cada um terá a sua. É certo, porem que agora o mundo vai observar ainda mais atentamente cada piscar de olhos de Michelle Obama.











Para que não fiquem dúvidas, depois de ter sido capa de revistas como Vogue e People, eis a capa da influente e mais opinativa revista The New Yorker onde ela é citada como o atual centro do universo da moda.









segunda-feira, 6 de abril de 2009

AGORA SÃO DUAS VOLTAS DE PÉROLAS
muito eloquentes, por sinal.






Michelle Obama, acompanhada de seu Barak, continua mandando mensagens esclarecedoras

Na estada na Inglaterra, veste-se à moda européia e usa um colar de pérolas de duas voltas, as contas são iguais, incisivas e esclarecedoras, significando algo como: sou chique, adequada, mas não sou boazinha.
O broche à esquerda, em contraponto com o colar já é pósmoderno, fortalecendo o estilo personalista de Michelle Obama.

Já que falamos de visual para políticos, o dêle é aquele desejado por todos: Cor e Forma impecáveis - atitude nem se fala.









As duas voltas permanecem,
reforçando o estilo para conhecer "A Rainha".























Em três situações, o mesmo colar.

Não é mero acaso!

Que acham?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mulheres no poder

Não deixem de ler a crônica da Martha Medeiros em Zero Hora de hoje - 01/04/09 - que fala sobre a difícil relação das mulheres com o Poder, sob o título Hermafroditismo. O texto foi motivado pelo monólogo,apresentado por Marília Gabriela - Aquela Mulher - no último fim de semana.


Ao ser questionada sobre o desempenho das mulheres na política e mais especificamente, referindo-se à Dilma Roussef e Ieda Crusius, Martha - com sua confortadora lucidez - comenta:


Na hora fiquei pensando em como as mulheres são mais cobradas do que os homens quando ocupam uma liderança política ou empresarial. Por um lado, elas não podem fraquejar de jeito nenhum, sob risco de serem consideradas delicadas demais para ocupar um cargo que sempre foi deles, os ogros. Por outro, se forem duronas, correm o risco de sofrerem críticas justamente por serem “mais macho que muito homem”, como dizia uma música da Rita Lee. A verdade é que mulher na política ainda é considerado um fenômeno sobrenatural e exige-se dela nada menos do que hermafroditismo.


Assim sendo o uso do colar de pérolas como acessório das mulheres em cargos políticos revele um certo hermafroditismo fashion. No caso a aparência e as atitudes falam até mais que as palavras.


Continuando a divagar, lembrei de um blog de Moda do IG,onde encontrei esta foto de um uso inédito colar de pérolas. A imagem é no mínimo instigante e reflete estes novos tempos de insatisfação coletiva.
Um tradicional colar de pérolas usado como contestação!
E não é que o visual está harmonioso e inspirador?



segunda-feira, 30 de março de 2009

O Colar de Pérolas










Colar de Pérolas


Comecei a observar que de uns tempos para cá, os colares de pérolas voltaram à cena e começaram a serem vistos nas mais variadas situações,
Versáteis, como somente um bom clássico consegue ser, é adotado para compor o visual da maioria das mulheres atuantes na política.Observei, porém que nem todas o usavam da mesma forma.
Comecei então uma retrospectiva pessoal para chegar no geral: se eu entendesse o significado do meu colar de pérolas , poderia ampliar minha percepção em relação às intenções de outras mulheres.
Assim, quando eu tinha 15 anos era fundamental possuir um colar de pérolas cultivadas, de tamanhos decrescentes a partir do centro, um “must have“ como se diz atualmente. Se usado com um twinset de banlon, atingia-se a perfeição. Eis que meu pai ao receber a visita de um “nissei, fabricante de ferros elétricos industriais para sua indústria de camisas, descobre que ele também vendia colares de pérolas cultivadas, trazidos do Japão. Sem dúvida já devíamos ter falado tanto sobre a imperiosa necessidade de possuir o dito colar que ele não resistiu e presenteou – nos, minha irmã e eu,com lindos colares de pérolas de uma volta. Lembro a felicidade dele e , é claro, nosso deslumbramento neste quase rito de passagem.
Junto com o colar de pérolas vinha a certificação: sou uma moça, não mais uma menina, sou bem nascida, elegante – o mundo que me aguarde!
As pérolas aqui marcam um rito de passagem, a esfera simbolizando a continuidade da vida.
O colar de pérolas contribuiu para que durante anos, minha irmã Maria Clara e eu fizéssemos parte das listas das “10 mais elegantes de Caxias do Sul”. Eu tinha certeza dos poderes mágicos do colar de pérolas naqueles lindos Anos Dourados.

Em seguida minha mãe ganha um lindo colar de pérolas de três voltas, celebrizado por Jaqueline Kennedy. Os atributos já não eram os mesmos e de acordo com os códigos sociais vigentes podiam ser usados por senhoras, com indicativo de poder, refinamento e elegância.

Anos mais tarde, na reviravolta dos anos 70, subverti o meu colar de uma volta só e mandei encurtá-lo para que minha filha Helena, ao fazer dois anos, o usasse com um vestido de malha branco. Anos mais tarde, ela usa o versátil colar, em seu comprimento original, para compor o figurino, em sua formatura no curso de Publicidade. Era o mesmo colar nos acompanhando em momentos importantes, a vida continuando.

Na mesma época a desastrada e toda poderosa ministra Zélia Cardoso de Melo, candidamente incorpora a seu austero figurino uma singela fieira de pérolas, cuja história não conheço, mas imagino que tambem devia existir.
O colar adquire um simbolismo político, sugerindo a imagem de boa moça, apesar de ter orquestrado, no início do governo Collor, o confisco das Cadernetas de Poupança, arrasador para a população. Apesar do colar ela não conseguiu convencer e mais tarde, protagonizando um tórrido romance proibido com Bernardo Cabral, então Ministro da Justiça, Zélia torna-se uma figura detestada pela opinião pública.
Nesta situação, o colar juvenil não foi suficiente.

E eis que em pleno século 21 a mística é retomada e pode-se fazer uma leitura reveladora: as mulheres na vida política continuam a usar pérolas como símbolo de distinção, confiabilidade e adequação.
Os exemplos são tantos que é até possível classificá-las
Não usam pérolas habitualmente - Marta Suplicy, Ieda Crusius, Roseana Sarney, Cristina Kirchner e Hilary Clinton. Parece que não buscam o visual “boazinha” !
Já a nossa ministra Dilma Roussef, manteve suas pérolas – ela tem mais de um colar, é claro – após a renovada em seu visual e faz parte de uma seleta lista de políticas influentes que usam pérolas habitualmente como a alemã Angela Merkel e a chilena Michelle Bachellet que usam o uniforme padrão das políticas composto de tailleur ou terninho e colarzinho de pérolas.
Chama atenção na reportagem publicada na revista Veja de 21 de janeiro de 2009, que nas fotos do Antes e Depois,a ministra Dilma mantém o colar para compor o figurino na sua caminhada rumo à sucessão de Lula.
Ontem, 27 de fevereiro de 2009, vi num telejornal a ministra Dilma,numa solenidade oficial, com um colar mais longo,à la Carrie Bradshaw no filme The Sex and the City.É claro que está havendo uma evolução, o colar longo é mais fashion, com uma conotação bem mais sexy.
Algo mudou!
Interpretação? Acho que cada um deve tirar a sua! A verdade é que quando se trata de política, nem um colar de pérolas escapa dos observadores (as) de plantão.Será, no mínimo interessante, acompanhar a evolução do estilo da Ministra Dilma.

Embora Michelle Obama não tenha cargo político,seu poder de comunicação é fenomenal e muito bem usado. Seu visual mudou muito ao longo da trajetória política do marido Barack e certamente contratou uma excelente assessora de imagem. Tudo nela é perfeito, das roupas às jóias, entre elas as pérolas do tipo poderosa, graúdas e de tamanho uniforme.

Evoluindo no tema, Michelle Obama arrasou com seu statement collar usado no 1º baile na Casa Branca, em 22 de fevereiro de 2009. A peça faz parte de uma coleção do designer Tom Binns, denominada “Pérolas em Perigo”, provavelmente pensada em função da ecocrise que afetou as culturas de pérolas japonesas.
Certamente as suaves e lustrosas pérolas deste colar, misturadas com placas quadradas de cristais brilhantes --num jogo de círculos e quadrados que combinam perfeitamente-- estão mesmo "em perigo" de perder seu tradicional status de refinada elegância. Certamente estas não são as pérolas de sua avó, mas uma interpretação glamurosa, no século, 21 de uma jóia tradicional.
Decididamente Michelle não é mulher de um tímido colar de “desculpe-me, foi o máximo que consegui usar”
Certamente o assunto não se esgota aqui e certamente novos exemplos aparecerão sobre a linguagem dos colares de pérolas.